Ultimamente, a definição do que é ser um empreendedor, eu arriscaria em dizer que é algo como saber tirar água de um deserto e ainda tornar acessível para todos em condições justas e iguais. Parece ser algo impossível, mas vejam só, o que eu quis dizer que um empreendedor deve saber como tornar bens e materiais escassos, em bens acessíveis para todos, de forma inovadora, em condições justas e iguais, mesmo sabendo as realidades sociais são injustas, desiguais e muitas vezes violentas. E o que ele deve ser perguntar é: Como?
Dá uma vontade de desistir logo de cara, não é? Mas se você quer ser um empreendedor saiba que esse sentimento vai persegui-lo sempre, pois há muito mais problemas do que estímulos, quando alguém quer se tornar um empreendedor. Ainda mais quando se ele é jovem, de classe média baixa e sem verba nenhuma inicial para começar um negócio.
Parece ser uma locura, uma história frustada, mas essa é a minha história, nos últimos dois anos da minha vida, quando decidi fundar a Vinnyl 69, no dia 29 de fevereiro de 2008:
De lá pra cá, encontrei uma pessoa muito especial que me apontou o que eu queria da vida; me formei em jornalismo; logo em seguida decidi me assumi como palhaço; criei um blog que falava sobre cultura de rua; organizei meus contatos desde a infância; ajudei amigos; trabalhei de graça em troca de conhecimentos; aprendi pelas trocas; fui assistente de tudo quanto é gente durante um longo tempo; fiz parcerias duradouras; investi dinheiro que não tinha; fundei um site; divulguei para tudo quanto é quanto; produzi mesmo não sabendo muito bem o que era isso; adquiri dívidas que ainda continuo pagando; viajei; conheci muita gente legal; fiz alguns cursos; aprendi a andar de perna de pau e a construir instrumentos musicais; fiz muitos espetáculos; fiz muitas reuniões com amigos e pessoas desconhecidas; tive raras oportunidades com pessoas que já se foram; conheci mais gente; me diverti muito; me apaixonei; montei uma companhia de teatro de rua; conheci um parceiro de cena; passei horas ensaiando; jogando conversa fora; arrisquei; ganhei; perdi; fiz mais contatos; adquiri mais parcerias; fortaleci e uni as parcerias antigas com as novas; fundei um escritório e estúdio de música junto com parceiros; adquiri mais dívidas, realizei projetos com parcerias, liguei para muita gente; andei muito quilometros; bebi muita água; trabalhei em projetos de outras pessoas quase que de graça porquê acreditava neles; fiz muita apresentação na rua de graça para as pessoas em troca de diversão; viajei mais; participei de festivais; fiz planos de montar uma família; me desesperei porque não via saídas e caminhos para fazer isso; trabalhei mais; fiquei duro que nem um coco; perdi cabelos; namorei mais; sentei e relaxei; fui ao cinema; fui a shows musicais; dormi; comi; bebi; fiquei de porre; nunca fumei embora amigos sempre digam que isso não tem problema; vendi alguns espetáculos; tive lucros; dividi lucros com amigos; fiz loucuras; realizei festas; conheci novos amigos; consegui meios de conseguir pagar minha primeira funcionária; morei em muita casa diferente; escrevi milhares de projetos; alguns vingaram; outros continuam na gaveta; Editais nem se fala! Uff… e muito mais!
Foram menos de 2 anos, aproximadamente 250 dias, 6024 horas, 361.140 segundos e incontáveis ações feitas, gerando um movimento que só para quando a vontade de fazer tudo isso se perde! E como isso acontece? Como isso é possível? Desistir de uma vida em movimento para realizar outra que não sabe como será? E me questiono porquê eu faço isso e não largo tudo e vou trabalhar em uma empresa qualquer? Faço um concurso público, com salário fixo, segurança e tranquilidade, como as pessoas mais velhas sempre dizem como o melhor caminho!
Eu acredito, assim como os budistas, que o melhor caminho é aquele que a gente que cria e criar esses caminhos, além de proporcionar que bens escassos possam se tornar cada vez mais acessíveis para um maior número de pessoas é o que me move. Encontrar outras pessoas que tenham essa missão e arrisquem tudo o que tem e o que não tem é um desejo muito grande nesse momento. Penso que não estou sozinho nessa busca e principalmente nessa realização, pelo menos eu espero!
Escrevo um texto para quem sabe, encontre alguém e diga um: “Oi, você não está sozinho!” e enfim, eu consiga parar, respirar e apreciar a vida que me cerca! Esperando que dias melhores virão, mas que a estrada percorrida nunca se esqueça!
Vinícius Longo
Estar sozinho……. esse estado é que me encomoda um pouco na construção dessas ações todas. Vejo muita informação, conhecimento e trabalho; e qdo vc pergunta, antes da lista apresentada, “Como?” parece que construir e perseverar é o tempo. Enraizar talvez. Deixa agora a planta crescer.
até
Longo, Longo, teu texto é um grande estímulo para todos que realizam algum trabalho com arte. É um depoimento de muita emoção e verdade.
Pernalonga-te. Sempre.
abraço
Ótimo e esclarecedor texto, meu camarada!
Conseguiste colcocar em palavras algo que venho tentando fazer há algum tempo: ando travadaço pra escrever [e compor música, e poesia, etc...]…
Parabéns pela fluidez e organização.
Um grande abraço do psicoesquizosonicodélico
Olá!
vc n~ está s´.
Você não está sozinho merrrrmo!
Bem vindo ao clube.
Vamu que vamu na pisada.
Ricard Gadelha
Palhaço Protocolo e dublê de empreendedor.
Oi! Você não está sozinho! Identificação total com teu texto Longo e com Wiwa idéias também, num meio de tanta informação, tanto conhecimento, parece que precisamos de tão pouco. Mas como viabilizar a quebra dos muros? Faço parte do time de inquietos, tamujunto mermão. Um forte abraço!
Oi Vini. Li seu texto. Antes de escrevê-lo, vc viu esse link? http://pt.wikipedia.org/wiki/Empreendedorismo
Vc é muito mais do que a pessoa que fundou a Vinnyl 69 no dia mais inexistente do ano (29 de fevereiro…é sério isso? só vc mesmo!!!)
Enfim… desabafo ou insatisfação? Frustração ou cala boca pra alguém que te criticou???
Precisamos conversar…ou teclar! Mande-me um e-mail pra eu entender o que está acontecendo contigo de verdade.
Você sabe que eu li e reli seu texto e fiquei pensando… Nossa, como é bom descobrir pensamentos em comum com os nossos. Essa é uma batalha de todos nós, que trabalhamos na/pela cultura. É a batalha diária para sermos reconhecidos como trabalhadores de fato, e responsáveis pela significativa fatia da economia mundial. É uma batalha pra não sermos mais vistos como os “doidinhos” que dão asas à imaginação e estão ali no canto expondo sua subjetividade. Acho que hoje temos resultados interessantes, mas ainda há muito o que se caminhar e se conquistar.
Conte comigo! Vamos que vamos!
Abração
Nunca me olhei como alguem que quer ser uma empreendedora, mas tenho me desdobrado para mostrar que a arte éa maior forma de inclusão o que nos sustenta e encontrarmos pelo caminho pessoas como vc que também tem a capacidade de se doar pelo que acredita.Espero ter a opotunidade de contribuir com em algum dos seus próximos emprendimentos. Abraços